Museu Municipal de Oliveira de Frades

Fevereiro 13, 2008 at 4:23 pm (Museus) (, , , , , )

 Inaugurado no dia 7 de Outubro de 2001, o Museu das Técnicas Rurais – Museu Municipal de Oliveira de Frades tem-se revelado uma estrutura de inegável interesse para o concelho e para a região.

As suas colecções são constituídas fundamentalmente por objectos etnográficos, ligados ao mundo rural, como a designação do Museu o indica, e por objectos arqueológicos provenientes de monumentos espalhados pelo território concelhio.

Os objectos expostos, referências históricas do Município, estão distribuídos por diferentes espaços temáticos.

O percurso expositivo inicia com a uma caracterização geográfica, geológica e botânica da sub-região de Lafões, com características semelhantes aos concelhos que a constituem (Oliveira de Frades, Vouzela e S. Pedro do Sul).
Segue-se depois o “Espaço Arqueológico”, onde estão expostos vestígios materiais da passagem do Homem ao longo dos tempos pelo território concelhio. Neste espaço podem ver-se objectos do Neolítico (espólio encontrado nas escavações do Dólmen de Antelas), da época castreja (mós e fragmentos de cerâmica encontradas em vários castros) e da época romana. Desta época, destacam-se as moedas, os fragmentos de cerâmica e os marcos miliários, que pelas suas dimensões, “marcam” o percurso neste espaço.

Da passagem do Espaço Arqueológico para a sala seguinte é abordado abreviadamente o tema “O profano e o sagrado coabitam no quotidiano do
agricultor”, onde pode ser observada uma estela funerária medieval, entre outros objectos.

O espaço que se segue é o “Espaço Rural”, no qual estão expostas as alfaias e os objectos agrícolas mais representativos dum quotidiano passado das gentes destas terras, que era marcado pelo ciclo do pão, do vinho e do azeite. Os objectos aqui expostos (o arado, a charrua, o carro de bois, a enxada, o mangual, a gadanha, a foice, a dorna, as mós do moinho, a pia do azeite, a pá do forno,…), ainda que conhecidos e utilizados actualmente, tendem a ser “esquecidos e a perderem-se”, pela crescente utilização de alfaias mecanizados (como os tractores e as ceifeiras) que poupam tempo e suor ao agricultor e pela mudança dos hábitos e costumes das populações.

Numa área de passagem para o segundo piso, pode ser observado um painel de fotografias que representam as diferentes vias de comunicação que atravessam o concelho: a via romana, o caminho de Santiago, a estrada real, o caminho-de-ferro (linha do Vale de Vouga) e o itinerário principal.

Passa-se por “Uma viagem ao tempo dos moinhos de água”, funcionando o rodízio, o arreeiro e os aguilhões como memória dos moinhos que hoje estão desactivados e abandonados.

No espaço “Um Município em construção” estão expostos objectos que estão relacionados com a história do Município, como é o caso do exemplar do Diário do Governo onde foi publicado o Decreto de D. Maria II que restaurou definitivamente o concelho (7 de Outubro de 1837), ou do primeiro livro de Actas da Câmara Municipal. Ainda neste sector, pode ser visto o núcleo da “Aferição de Pesos e Medidas”, constituído pelos utensílios de aferição da Câmara Municipal.

De seguida avança-se para a área das “Artes e Ofícios”, onde encontramos a madeira e o carpinteiro, o ferro e o ferreiro, a pedra e o pedreiro e o linho e a tecedeira. O percurso museológico neste local tem como objectivo dar uma ideia de continuidade das memórias de uma oficina que encerrou e cujos instrumentos e ferramentas ficaram arrumadas, “paradas ou adormecidas”, ainda que incorporadas, em moldes diferentes, num espaço museológico. Desta forma, o visitante pode ver ferramentas que estão associadas a cada um desses artífices: carpinteiro (plainas, serras, enxós, grelopas,…), o ferreiro (a safra com bigorna, as tenazes, o fole,…), o pedreiro (os picos, os guilhos, a zorra, a picola,…) e a tecedeira (o sarilho, o tear, a lançadeira,…).

O Museu goza de uma situação geográfica privilegiada, oferecendo condições favoráveis para a atracção turística e para ser ponto de partida para a descoberta do concelho de Oliveira de Frades.

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